As respostas
**História e nomes fictícios, criada para reflexão!
Quando busquei a Lorena na escola, notei
que ela estava muito quieta. Aquele foi o primeiro dia de aula no 2º ano e eu
tinha muitas expectativas, queria saber se ela fez novas amizades, se gostou da
professora nova... enfim, tudo o que ela quisesse contar. O problema é que ela,
geralmente falante, estava calada e pensativa.
Como mãe preocupada, logo achei que o dia tinha
sido um desastre. Ela olhava pela janela, durante o caminho para casa e
aparentava feliz. Até tentei me segurar, mas não aguentei:
- Filha, como foi na escola? – depois de
alguns segundos, ela olhou para frente e respondeu:
- Muuuuito legal mãe!
E, claro, eu não estava satisfeita com a
resposta:
- Legal como? Conta mais detalhes!
- Ahhhh mãe! Minha professora nova é tão
divertida! Ela tem cara de brava, mas fez uma brincadeira para saber o nome de
todo mundo, falou várias coisas legais que vamos aprender esse ano... acho que
vou gostar dela. Ah! Ela só passou só uma tarefa, estou pensando nas respostas.
Consegui que ela falasse e isso foi um
alívio enorme. Porém, algo me intrigou novamente. A Lorena sempre gostou de ir
para a escola, mas pensar na tarefa no carro? O que tinha de interessante nessa
tarefa?
- E... Sobre o que é a tarefa?
- Só umas perguntas, mãe. Depois te mostro.
Ao chegarmos em casa, ela correu para
abraçar os avós e brincar com nossa gatinha Milu. Então, aproveitei para espiar
a bendita tarefa. Na folha, estava escrito: “Começamos
um novo ano! Para te conhecer melhor, vamos responder algumas perguntas? 1)
quem sou eu? 2) O que gosto de fazer? 3) O que me marcou no ano passado? 4) O
que desejo para esse ano?”.
Antes que ela reparasse, devolvi a folha e
fui preparar o jantar, perdida em pensamentos. Após a refeição, sugeri fazermos
a tarefa, mas ela contou que estava pronta e me mostrava de manhã.
Estava receosa com a pergunta nº 3, já que
eu e o pai dela tínhamos nos divorciado no ano anterior. Sei que tentei ao máximo
poupa-la dos reflexos da separação. Sei também que não posso protege-la de
tudo.
Depois do divórcio, o Otávio só buscou a
Lorena duas vezes nos últimos quatro meses. Na primeira vez que ele não
apareceu, fiquei furiosa, mas disfarcei. A Lorena perguntou se “o papai tinha esquecido”, respondi que
ele teve um problema no trabalho e não chegaria a tempo. Nas ocasiões
seguintes, ela não questionou e eu, somente inventei algo para fazermos.
Assim que ela adormeceu, abri
cuidadosamente a pasta, li as respostas e me surpreendi:
1)
Quem sou eu? Eu sou
a Lorena e tenho 7 anos.
2)
O que gosto de
fazer? Eu gosto muito de desenhar e brincar com as minhas amigas.
3)
O que me marcou no
ano passado? Eu aprendi a ler, mudamos e agora moramos com o vovô e a vovó. Não
vejo muito o papai, ele não mora com a gente mais. Como minha mãe falou, eles não
deixaram de ser meus pais e quando o papai estiver mais feliz, ele vai me
buscar mais vezes. Ele sempre perde quando jogamos videogame, acho que ele está
aprendendo a jogar antes de me buscar.
4) O que desejo para esse ano? Ver toda minha família feliz.
Fechei a pasta com lágrimas nos olhos. Nunca imaginei que ela pensasse daquela forma. Senti que minha dedicação, pensando no melhor para ela, valeu a pena e surgiu em mim uma força ainda maior para continuar lutando por nós.
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